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Goiânia,18/06/2026

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    Plano Safra 2026/27 terá foco em seguro rural, juros menores e previsibilidade no crédito

    Ministério da Agricultura prioriza ampliação da proteção ao produtor, redução dos custos de financiamento e renegociação de dívidas diante dos desafios climáticos e do aumento do endividamento no campo

    Reprodução: Governo Federal
    Plano Safra 2026/27 terá foco em seguro rural, juros menores e previsibilidade no crédito Plano Safra 2026/27 terá foco em seguro rural, juros menores e previsibilidade no crédito

    A menos de duas semanas do lançamento do Plano Safra 2026/2027, previsto para 1º de julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou as prioridades que estão sendo discutidas com a equipe econômica do governo federal. Entre os principais pontos estão o fortalecimento do seguro rural, a redução das taxas de juros do crédito agrícola e a garantia de maior previsibilidade na liberação dos recursos destinados ao setor.


    Durante o VEJA Agro Fórum, realizado nesta terça-feira (16), em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a meta do governo é, no mínimo, repetir os R$ 516 bilhões disponibilizados no Plano Safra anterior. Segundo ele, a manutenção desse volume consolidaria uma ampliação significativa dos recursos destinados ao financiamento da produção agropecuária.


    Em conversa com jornalistas, o secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, destacou que o seguro rural deverá ocupar papel central na nova política agrícola, especialmente diante da intensificação dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos.

    “Se soubéssemos que teríamos aquela catástrofe no RS, qualquer um teria feito seguro. É um processo evolutivo e a participação do seguro rural no orçamento da União precisa, sim, crescer”, disse.

    Além da ampliação gradual dos recursos destinados ao seguro, o governo busca reduzir os custos do crédito rural. Segundo Soares, o objetivo é oferecer linhas de financiamento mais acessíveis aos produtores, sem comprometer a sustentabilidade fiscal das contas públicas.


    Para o secretário, mais importante do que ampliar o volume total de recursos é garantir que os financiamentos tenham taxas compatíveis com a realidade do campo e que os recursos previstos não sejam interrompidos por contingenciamentos ao longo do ano.


    Como referência, ele citou o programa Move Agro, lançado recentemente durante a Bahia Farm Show, que disponibilizou R$ 14 bilhões para financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas com juros de 9,26% ao ano.

    “Se não conseguirmos esse aumento de 10% para o programa, esperamos pelo menos um incremento em linha com a inflação, algo entre 4,2% e 4,4%, o que já seria muito bom diante do cenário do setor e da atual conjuntura econômica”, afirmou.

    Soares também ressaltou que algumas linhas já oferecem condições diferenciadas para produtores que adotam práticas sustentáveis. Atualmente, a menor taxa de juros do Plano Safra empresarial é de 8% ao ano, podendo ser reduzida em um ponto percentual para produtores inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e que possuam certificações ou comprovem boas práticas agropecuárias.

    “Em um cenário mais equilibrado e otimista, se conseguirmos reduzir os juros em 2 pontos percentuais.”, disse.

    Endivadamento gera conflito com o crédito - Ao comentar as reclamações de produtores rurais e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) sobre dificuldades de acesso ao crédito, o secretário afirmou que o principal obstáculo atualmente não é a disponibilidade de recursos, mas o elevado nível de endividamento do setor.

    “O que está acontecendo é falta de crédito, não de recursos ou orçamento. O produtor, seja pessoa física ou jurídica, não tem crédito porque está endividado.”

    Diante desse cenário, o governo acompanha a tramitação do Projeto de Lei 5.122, aprovado pelo Senado e em análise na Câmara dos Deputados, que prevê a renegociação de aproximadamente R$ 140 bilhões em dívidas rurais.


    Segundo Soares, a recuperação da capacidade de investimento dos produtores passa por uma combinação entre renegociação dos débitos e redução das taxas de juros.

    “Virá um Plano Safra com um novo endividamento? Precisamos encontrar uma equação. Qual é a equação? Negociar a dívida e, ao mesmo tempo, reduzir a taxa de juros. Isso precisa caminhar junto.”





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