Máquinas chinesas ganham espaço no Brasil e ampliam concorrência no agronegócio
Importações de equipamentos da China cresceram 85,7% em 2025, impulsionadas por preços competitivos e avanço tecnológico das fabricantes asiáticas
Máquinas chinesas ganham espaço no Brasil e ampliam concorrência no agronegócio As indústrias chinesas continuam ampliando sua presença no mercado brasileiro de máquinas agrícolas e equipamentos pesados. O crescimento é árduo principalmente pelos tratores de menor potência, mas também alcança segmentos ligados à terraplanagem, preparação de solo e colheita mecanizada.
Informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam que o Brasil importou um recorde de 11 mil máquinas agrícolas em 2025, número 17% superior ao registrado no ano anterior. Fator que favoreceu em transformar a China como o segundo maior provedor do país, atrás apenas da Índia, com 3,9 mil unidades comercializadas. O volume representa um crescimento de 85,7% em relação a 2024.
O avanço das fabricantes chinesas tem sido acompanhado pela entrada de novos distribuidores no mercado nacional. O Grupo AIZ, de São José dos Pinhais (PR), passou a importar equipamentos das fabricantes Sinomach e TZCO em 2025. As primeiras máquinas chegaram ao Brasil no início deste ano.
A empresa trabalha com um portfólio que inclui escavadeiras de até 40 toneladas, tratores de esteira, motoniveladoras, pás carregadeiras e rolos compactadores. Para o diretor comercial de linha amarela do grupo, Diego Vasconcelos, a evolução da qualidade dos equipamentos tem ajudado a derrubar antigas resistências do mercado.
“Não existe mais aquele tabu em relação à máquina chinesa. Os fabricantes estão olhando para o Brasil, entendendo a demanda local e fazendo adaptações para atender o mercado brasileiro”, afirmou.

Diego Vasconcelos, diretor da AIZ
Segundo a empresa, mais de 300 máquinas já estão disponíveis para pronta entrega, enquanto outras 1.500 unidades encontram-se em processo de importação. A expectativa é triplicar o volume de negócios até o segundo semestre de 2027.
Embora a principal atuação da companhia esteja voltada para máquinas de construção e movimentação de terra, o agronegócio representa uma parcela importante da demanda. “A maior parte das vendas são para colheita mecanizada, pinus e eucalipto”, destacou Vasconcelos.
Outra empresa que aposta no crescimento dos equipamentos chineses é a BDG Máquinas. A companhia importou pouco mais de mil unidades no primeiro semestre e projeta encerrar o ano com cerca de 1.800 equipamentos comercializados.
Os tratores oferecidos pela empresa possuem potência entre 24 e 240 cavalos e atendem principalmente produtores de café, laranja e hortifrúti. De acordo com o diretor do grupo, Ubiratan Sousa, o diferencial está no custo-benefício dos equipamentos. “Os tratores YTO custam, em média, 30% abaixo dos modelos tradicionais do mercado”, afirmou.
Para Sousa, a chegada das marcas chinesas já está transformando o mercado nacional, seguindo um movimento semelhante ao observado em outros setores da economia. “Isso já aconteceu no segmento de máquinas de construção, está acontecendo com os carros chineses, e agora também com os tratores”, ressaltou.
Com preços mais competitivos, avanços tecnológicos e investimentos voltados às necessidades do produtor brasileiro, as fabricantes chinesas vêm conquistando espaço em um setor historicamente dominado por marcas tradicionais, ampliando a concorrência e oferecendo novas alternativas ao agronegócio nacional.






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