Grupo gestor de investimentos mira valorização de fazendas
Möbius estreia estratégia com aquisição de fazenda e foco em valorização
Möbius estreia compra direta de terras e amplia presença no agro A gestora Möbius Capital deu início a uma nova frente de investimentos ao realizar sua primeira aquisição direta de terra agrícola. A operação foi concluída por meio do Fiagro MBS Fazenda I, que adquiriu uma propriedade de aproximadamente 5,5 mil hectares na região da Serra da Petrovina, em Mato Grosso.
A iniciativa marca a entrada da empresa em uma estratégia baseada não apenas na valorização passiva da terra, mas na recuperação e desenvolvimento de áreas com potencial agrícola para posterior venda.
Em 2014, quando Murilo Moura, atualmente sócio-fundador da Möbius, ainda atuava como diretor de renda fixa e estruturação no Credit Suisse. Segundo ele, a ideia surgiu após uma conversa com Eraí Maggi, fundador do grupo Bom Futuro e uma das figuras históricas do agronegócio nacional.
Na ocasião, Maggi sugeriu a criação de um fundo dedicado à aquisição de propriedades rurais, diante da quantidade de oportunidades que apareciam no mercado e da dificuldade em absorver todas elas individualmente.
Mais de dez anos depois, já em outro contexto empresarial, a proposta foi colocada em prática.
“Não queria comprar uma fazenda pronta e torcer para a terra valorizar. A ideia é fazer gestão ativa. Comprar um ativo que tenha potencial de melhoria, investir nele e vender depois de dois ou três anos”, afirmou Murilo Moura.
O fundo MBS Fazenda I foi estruturado com capacidade de captação de até R$ 100 milhões. A primeira emissão, de R$ 70 milhões, já foi concluída, enquanto o restante poderá ser levantado conforme o cronograma de investimentos.
Möbius no agro - Parte dos recursos utilizados na aquisição veio do principal fundo da casa, um veículo fechado com prazo de oito anos e foco em crédito estruturado, ativos judiciais e ativos reais, que atualmente administra cerca de R$ 500 milhões.
Segundo Moura, a estratégia inicial será criar um fundo específico para cada propriedade adquirida.
“Preferimos mostrar o resultado de cada investimento individualmente. No futuro isso pode evoluir para uma estrutura com várias fazendas dentro do mesmo fundo, mas, nesse primeiro momento, entendemos que fazia mais sentido separar os ativos”, disse.
Além da recuperação de áreas, a gestora vê oportunidade em um cenário de juros elevados, que reduziu a capacidade de compra dos produtores tradicionais.
“O comprador natural de uma fazenda normalmente é o vizinho ou outro produtor da região. Mas o custo de capital está muito alto. Tomar dinheiro a CDI mais algum spread para comprar terra ficou muito mais difícil”, explicou.
Na propriedade adquirida em Mato Grosso, a Möbius já iniciou investimentos em infraestrutura, incluindo energia, abertura de estradas internas e preparação dos talhões. Apesar disso, operar diretamente a produção agrícola não está entre os objetivos da empresa.
“Queremos desenvolver o ativo. Operar fazenda é outra atividade. Nossa função é estruturar o capital e executar a transformação”, afirmou.
A escolha da Serra da Petrovina também levou em consideração fatores produtivos e logísticos. De acordo com Moura, a região reúne importantes produtores de sementes de soja e algodão e apresenta condições climáticas favoráveis.
“É uma região que rivaliza com Sapezal como uma das melhores do estado”, avaliou.
Hoje, a gestora analisa novas oportunidades em Mato Grosso, oeste da Bahia, Tocantins e Goiás. Para acelerar o processo de seleção, a empresa desenvolveu um software próprio que cruza informações ambientais, fundiárias, logísticas e climáticas a partir do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
“Para essa primeira fazenda, foram mais de 12 meses entre identificar a oportunidade e concluir a compra. Hoje conseguimos fazer essa análise preliminar em minutos”, destacou.
Com aproximadamente 40% dos ativos já ligados ao agronegócio, a expectativa da empresa é atingir R$ 1 bilhão sob gestão ainda neste mês, impulsionada também por operações de sale and leaseback.
“Não montamos a gestora pensando em comprar usina. A oportunidade apareceu, estudamos o setor, montamos a estrutura e fomos atrás. Cada situação exige uma solução diferente”, concluiu Moura.






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