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Goiânia,26/05/2026

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    Debate sobre fim da escala 6x1 preocupa setor agro e levanta discussão sobre custos e produtividade

    Produtor rural e advogado Luís Gustavo Nicoli defende debate amplo sobre redução da jornada e alerta para impactos em atividades que funcionam sem interrupção, como pecuária, transporte e indústria

    Reprodução internet
     Debate sobre fim da escala 6x1 preocupa setor agro e levanta discussão sobre custos e produtividade Debate sobre fim da escala 6x1 preocupa setor agro e levanta discussão sobre custos e produtividade

    A discussão sobre o possível fim da escala 6x1 e a adoção de modelos como a jornada 5x2 voltou ao centro do debate entre trabalhadores e empregadores. Em entrevista ao quadro Vida Boiadeira, o produtor rural e advogado Luís Gustavo Nicoli afirmou que a redução da jornada exige análise técnica e adaptação entre os diferentes setores da economia, especialmente no agronegócio.


    "Então é uma discussão que ela não pode ser simplesmente uma discussão de direito. Falar o trabalhador tem direito? Não, claro, não, não vamos discutir isso, mas nós não podemos igualar essa nomenclatura de direitos para todas as categorias." enfatiza o produtor.

    Segundo Nicoli, o descanso do trabalhador é um direito legítimo e necessário, mas a discussão precisa considerar as particularidades de cada atividade econômica.

    “Não estamos discutindo se o trabalhador tem direito ao descanso. Tem. O ponto é entender como aplicar isso em realidades completamente diferentes”, afirmou.

    Durante a conversa, o advogado destacou que atividades agropecuárias operam em ritmo contínuo e não podem ser interrompidas por escalas padronizadas. Como exemplo, citou a produção leiteira, em que o trabalho ocorre praticamente durante todo o dia por meio de revezamento de equipes.

    "Atualmente é uma jornada 6 por um, trabalha de segunda a sábado, folga domingo. Então, hoje já é difícil para o agro imaginar que o produtor vai ter lá na fazenda, por exemplo, nós começamos a ordenha às 3 da manhã. E nós terminamos a ordenha às 2as da manhã. Nós estamos trabalhando 23 horas por dia. É turno. Sai um, entra outro."

    Hoje, a regra geral da legislação trabalhista prevê jornada semanal de 44 horas, distribuídas normalmente em seis dias de trabalho com uma folga semanal o chamado modelo 6x1. Já as propostas em discussão consideram reduzir a carga para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, formando a escala 5x2.

    Para Nicoli, aplicar uma única regra para escritório, indústria e campo pode gerar desequilíbrios operacionais e financeiros.

    "Indústria é assim. A fazenda hoje é uma indústria. Então eu tenho que imaginar esse impacto na minha atividade. Só que não é só a minha atividade, é a atividade de toda a classe leiteira. Aí vem a soja, vem o milho, vem a indústria, do pátio industrial das cidades, e vem o escritório. O meu escritório aqui trabalha das 9 da manhã às 6 da tarde."

    Ele também apontou possíveis reflexos em setores como transporte e logística, citando aumento de custos com contratação de pessoal e reorganização de turnos. Na avaliação apresentada durante a entrevista, esse impacto tende a chegar ao consumidor final por meio do aumento dos preços.

    Ao encerrar, o advogado ressaltou que mudanças trabalhistas precisam ser planejadas de forma gradual e com estudos econômicos que considerem os diferentes setores produtivos do país.




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