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Goiânia,22/05/2026

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    Leandro Luiz Stival Ferreira

    Vai rolar o veto ou não?

    Decisão da União Europeia sobre exigências sanitárias e uso de antimicrobianos acende alerta no agro; setor aposta em negociação técnica, adaptação regulatória e manutenção da competitividade brasileira

    A recente decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal acendeu um alerta no agronegócio brasileiro, especialmente no setor da carne bovina. A pergunta agora é direta: vai realmente acontecer um veto total da carne brasileira para a Europa?


    Neste momento, a resposta mais técnica e equilibrada é: ainda não.


    A medida anunciada pela União Europeia passa a valer em setembro e está ligada às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. O bloco europeu afirma que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes sobre o controle desses produtos na produção animal.
    Porém, é importante separar o debate técnico do debate político.


    A Europa vive hoje forte pressão interna de produtores rurais, principalmente franceses e irlandeses, que enxergam a carne sul-americana como uma concorrência extremamente competitiva. Coincidentemente, a decisão ocorre logo após o avanço do acordo Mercosul-União Europeia e em um momento em que as exportações brasileiras para o mercado europeu vinham crescendo fortemente.


    Ou seja: existe um componente sanitário, mas também existe um componente econômico e geopolítico.
    O Brasil, por sua vez, não é um país sem controle sanitário. Pelo contrário. Possui um dos maiores sistemas de inspeção animal do mundo, reconhecimento internacional em sanidade e capacidade técnica para atender exigências cada vez mais rigorosas. Inclusive, o próprio Ministério da Agricultura já vinha avançando em restrições e adequações relacionadas ao uso de antimicrobianos.


    Por isso, o cenário mais provável neste momento não é de fechamento definitivo do mercado europeu, mas sim de um período intenso de negociações técnicas, diplomáticas e adequações regulatórias.
    O maior desafio daqui para frente será velocidade.


    Hoje, o mercado internacional não compra apenas carne. Compra rastreabilidade, transparência, sustentabilidade e confiança sanitária. O mundo mudou. Competitividade deixou de ser apenas custo de produção.


    Para Goiás e para o Brasil, o momento exige equilíbrio, inteligência comercial e reação rápida. O setor da carne brasileira continua forte, competitivo e estratégico para a economia mundial. Mas precisará mostrar, cada vez mais, capacidade de adaptação aos novos padrões globais.
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