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Goiânia,03/07/2026

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    Frutas nativas podem ajudar a prevenir doenças crônicas

    Revisão da USP aponta que compostos bioativos presentes em frutas brasileiras, como jabuticaba, açaí e guaraná, têm potencial para combater inflamações e proteger as células do envelhecimento

    Foto: Reprodução/ iStock
    Frutas nativas podem ajudar a prevenir doenças crônicas Jabuticaba, açaí, guaraná e outras frutas nativas brasileiras apresentam compostos bioativos que podem ajudar na prevenção de doenças associadas ao envelhecimento celular

    Frutas nativas brasileiras, como jabuticaba, açaí, cambuci, guaraná e marolo, podem desempenhar um papel importante na prevenção de doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento celular. A conclusão é de uma revisão científica realizada por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), que reuniu estudos publicados nas últimas décadas sobre os compostos bioativos presentes nesses alimentos.

    Segundo os pesquisadores, substâncias como flavonoides, antocianinas, carotenoides e ácidos fenólicos apresentam ação antioxidante e anti-inflamatória, ajudando a proteger as células contra danos provocados pelo estresse oxidativo e pela inflamação crônica. Esses mecanismos estão associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas.

    O estudo integra o doutorado da nutricionista Maria Carolina Zsigovics Alfino, sob orientação da professora Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres, em parceria com pesquisadores da Universidad Autónoma do Chile. A pesquisa faz parte da linha de estudos do grupo Alimentos, Nutrição e Saúde Mental da FSP, voltada ao potencial da biodiversidade brasileira na prevenção de doenças crônicas.

    Para Elizabeth Torres, identificar alimentos ricos em compostos bioativos pode contribuir para futuras estratégias de promoção da saúde pública.

    "Doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, estão entre as principais causas de adoecimento e mortalidade no mundo. Identificar alimentos acessíveis e ricos em compostos bioativos capazes de auxiliar na prevenção dessas doenças tem impacto direto", afirma.

    Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda são necessários mais estudos clínicos em seres humanos. Grande parte das evidências analisadas foi obtida em experimentos realizados com culturas celulares e modelos animais.

    De acordo com Maria Carolina Alfino, os compostos bioativos dessas frutas atuam diretamente no controle da inflamação e do estresse oxidativo, fortalecendo os mecanismos naturais de defesa do organismo.

    "Propriedades bioativas encontradas no guaraná atuam em mecanismos de redução da ativação excessiva de células inflamatórias do cérebro e na diminuição da produção de citocinas pró-inflamatórias, moléculas que participam da resposta inflamatória do organismo", explica.

    A professora Elizabeth Torres destaca ainda que os benefícios não se limitam à polpa das frutas. Cascas, sementes e outros subprodutos normalmente descartados também apresentaram potencial biológico, ampliando as possibilidades de aproveitamento sustentável.

    Pesquisas sobre a jabuticaba - Entre todas as espécies avaliadas, a jabuticaba foi a que concentrou o maior número de estudos científicos. Pesquisas com extratos da casca, da polpa e até dos galhos apontaram elevada capacidade antioxidante e redução de marcadores inflamatórios relacionados à obesidade, resistência à insulina, inflamações intestinais e doenças cardiovasculares.

    Os efeitos são atribuídos principalmente às antocianinas, flavonoides e ao ácido elágico presentes no fruto.

    O açaí e o guaraná também se destacaram. No caso do guaraná, os estudos indicam potencial neuroprotetor associado à ação conjunta da cafeína e das catequinas, capazes de reduzir danos causados pelo estresse oxidativo e pela inflamação.

    Já o açaí chamou a atenção pelo potencial de suas sementes, ricas em procianidinas, compostos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que podem contribuir para a prevenção de doenças metabólicas, cardiovasculares e renais.

    Benefícios para o cérebro

    A revisão também encontrou evidências de que os compostos bioativos dessas frutas podem favorecer a saúde do sistema nervoso. No guaraná, os pesquisadores observaram potencial para reduzir a neuroinflamação, processo relacionado a doenças como Alzheimer e Parkinson.

    Outro aspecto destacado foi a influência positiva sobre a microbiota intestinal. Os compostos bioativos podem estimular o crescimento de bactérias benéficas e reduzir inflamações sistêmicas, fortalecendo a chamada conexão intestino-cérebro.



















    Para Maria Carolina Alfino, os resultados reforçam a importância de valorizar as frutas nativas brasileiras, muitas vezes pouco consumidas pela população, apesar do elevado potencial nutricional e funcional.




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