Seja bem-vindo
Goiânia,26/06/2026

    • A +
    • A -
    Publicidade

    Safra de milho em Goiás deve ter queda de até 30%, avalia Aprosoja-GO

    Leonardo Machado afirma que estiagem reduziu a produtividade, mas maior oferta na colheita mantém oportunidade de compra para pecuaristas

    Vida Boiadeira
    Safra de milho em Goiás deve ter queda de até 30%, avalia Aprosoja-GO Safra de milho em Goiás deve ter queda de até 30%, avalia Aprosoja-GO

    A colheita do milho safrinha 2026 começou oficialmente em Goiás e confirma o cenário previsto pelos produtores desde o desenvolvimento das lavouras: uma forte queda na produtividade provocada pela estiagem. Em entrevista ao Portal Vida Boiadeira, o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Sója (Aprosoja-GO), Leonardo Machado, analisou os impactos da seca na safra, comentou as perspectivas para o mercado, as exportações e o crescimento das usinas de etanol de milho. Também orientou os pecuaristas sobre o momento mais estratégico para a compra de grãos.


    Engenheiro agrônomo, com pós-graduação em Marketing e Gestão de Custos, Leonardo Machado acompanha de perto o cenário da produção de grãos no estado.

    Vida Boiadeira: O negócio é o seguinte, nós estamos no meio da colheita da safrinha. Alguns já colheu, outros estão colhendo. Eu queria que você falasse um pouquinho de como foi essa safrinha nossa, como que ela está. Depois nós vamos entrar em número de preço.

    Leonardo Machado: Então, Boiadeiro, foi uma safrinha com bastante desafio pro produtor. A gente teve um um umas condições climáticas não tão boas. A gente teve um atraso no plantio e o produtor, infelizmente, sofreu muito com isso. A gente teve uma queda da produtividade, se a gente avaliar de modo geral. Então tudo isso aí deve impactar muito, não só no mercado de milho, né Boiadeiro, mas no mercado de bovino, de aves, suínos, todo mercado que depende do milho, a gente vai ter um reflexo aí, dessa dessa menor produtividade do milho.

    Vida Boiadeira: A gente tá falando em quantos por cento?

    Leonardo Machado: Então, o que a gente tá colocando aqui agora, é em torno aí de 100 de 30% de queda de produtividade. O ano passado a gente colheu aqui no estado de Goiás, uma média de 115 sacas por hectare. Então, se a gente pegar esse valor e colocar, a gente dificilmente vai conseguir colher aí nesse ano em torno de 80 sacas. Isso vai reduzir muito a nossa produtividade. Consequentemente a gente vai ter uma produção menor.

    Vida Boiadeira: Tem uma coisa que impacta também nos preços, que não é só a baixa produtividade, é a questão da exportação do milho. Como ela está? Vamos dar uma clareada pra turma.

    Leonardo Machado: Vamos falar um pouquinho aqui de Goiás, a gente deve colher em torno de 11 milhões de toneladas de milho na primeira e na segunda safra. O estado exporta em torno de 2 milhões de toneladas. Essa exportação, tem ganhado uma certa velocidade, logicamente, não é nosso principal uso, mas ela tem sim, evoluído, algo que surpreende, porque o nosso maior comprador, boiadeiro, era o Irã. E o Irã, numa situação de guerra hoje, não compra praticamente, mais milho. A gente tem que buscar outros mercados, o mercado japonês, o mercado coreano, são grandes compradores nossos aqui também. Mas ela tem evoluído e tem ganhado certa notoriedade, sim. Mas de novo, ela não é a nossa principal utilização. Nossa principal utilização continua sendo alimentação animal.

    Vida Boiadeira: Vamos falar um pouquinho das fábricas de etanol também.

    Leonardo Machado: Tem crescido muito, muito. Hoje em Goiás, utiliza para etanol de milho em torno de 2 milhões de toneladas também. Então, praticamente é quase o mesmo volume que vai para a exportação. E essa utilização tende a crescer cada vez mais, porque a gente deve nesse ano 26 e 27, deve entrar em funcionamento a maior fábrica de etanol com base no milho, lá em Rio Verde. Então, esse número deve crescer cada vez mais, além dos outros projetos. A gente tem vários projetos de outras usinas de etanol de milho, aqui no estado. Eu não tenho dúvida nenhuma, tá, Boiadeiro, que é o etanol de milho vai ser o principal uso do milho no nosso estado em pouco tempo.

    Vida Boiadeira: E a gente falando um pouquinho, que o etanol vai em crescer, mas também disponibiliza o DDG e o DDGS?

    Leonardo Machado: O subproduto da produção de etanol é o DDG, que tá sendo amplamente utilizado em muitos confinamentos aqui no nosso estado. Então assim, a produção de etanol de milho, não conflita com a alimentação bovina principalmente. É até benéfico, uma vez que você tem um subproduto que acaba sendo utilizado principalmente em confinamento, alto valor proteico, e tem boa portabilidade pro nosso animal.

    Vida Boiadeira: É moçada, a janela de comprar milho para quem for é agora, né, Léo?

    Leonardo Machado: É agora, é agora. Com a colheita do milho, o preço tende a cair consideravelmente. É nesse momento que é o melhor momento de compra. Lembrando que pro agricultor, o melhor momento de venda é no início do ano. Então ele tem, ele vai ter da de agora até o fim do ano uma boa janela de compra e depois na virada fica mais complicado. Você paga um preço mais alto. A gente tem que lembrar também que Mato Gross e Paraná, que são os principais produtores, não tiveram essa quebra. Eles estão colhendo uma boa safra. Então o preço, apesar da queda de Goiás, essa queda não deve refletir em preço. O que deve refletir é a maior oferta que a gente vai começar a encontrar agora nos mês de julho e agosto.

    Vida Boiadeira: É moçada, ficam atentos ao mercado do milho, porque ela é a base da alimentação do bovino, das aves e do suíno, até de peixe e outros demais.


    Serviço: Para saber mais

    DDG e DDGS são coprodutos da produção de etanol de milho, obtidos após a fermentação do amido do grão. Ambos são ricos em proteína e energia, sendo amplamente utilizados na alimentação de bovinos, suínos e aves.

    A principal diferença é que o DDGS recebe a adição de solúveis (xarope de milho), o que aumenta seu valor nutricional e digestibilidade em relação ao DDGCom o crescimento das usinas de etanol de milho, especialmente em Mato Grosso e Goiás, a produção desses coprodutos avança rapidamente, fortalecendo a pecuária ao oferecer uma alternativa eficiente e competitiva ao milho e ao farelo de soja.





    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.