Após saída de Junior Friboi, Fazenda Conforto entra na mira de gigantes do agro
Com capacidade para produzir até 180 mil bois por ano, uma das maiores operações de confinamento do país volta ao mercado e desperta interesse de grupos como Bom Futuro após impasse no Cade
Após saída de Junior Friboi, Fazenda Conforto entra na mira de gigantes do agro A Fazenda Conforto, localizada em Nova Crixás (GO), voltou ao centro das atenções do agronegócio brasileiro após o encerramento das negociações para sua venda à JBJ Agropecuária, empresa comandada por José Batista Júnior, o Junior Friboi. Considerada uma das maiores estruturas de confinamento bovino do Brasil, a propriedade é avaliada em cerca de R$ 1,2 bilhão e já desperta o interesse de novos investidores.
Reconhecida pela dimensão de sua operação, a Fazenda Conforto ocupa uma área de aproximadamente 12 mil hectares e se consolidou como referência nacional em pecuária de precisão, tecnologia e sustentabilidade. A estrutura possui capacidade estática para cerca de 76 mil animais em confinamento e registra um giro anual entre 170 mil e 180 mil cabeças terminadas.
Além da pecuária intensiva, a propriedade mantém um modelo integrado de produção. O confinamento gera aproximadamente 50 mil toneladas anuais de esterco, matéria-prima utilizada pelo Instituto Fazenda Conforto Bioenergia (IFB) na fabricação de fertilizantes orgânicos e organominerais. A produção anual de BioAtivo e Bioef também alcança cerca de 50 mil toneladas, utilizadas na adubação das áreas agrícolas da fazenda.
Para sustentar a alimentação dos animais, a operação conta com 1.200 hectares irrigados por pivôs destinados ao cultivo de milho para silagem e capim mombaça, além de aproximadamente 7 mil hectares de pastagens manejadas em sistema rotacionado.
Fundada na década de 1990 pelo empresário Alexandre Funari Negrão, conhecido nacionalmente como Xandy Negrão, fundador da farmacêutica Medley e ex-piloto da Stock Car, a fazenda completou 30 anos de atividades em maio de 2026. Ao longo de sua história, alcançou a marca de 2 milhões de cabeças de gado engordadas.
Negociação com a JBJ encerrada - Em abril deste ano, a JBJ Agropecuária anunciou um acordo para aquisição da totalidade da Fazenda Conforto. O negócio incluía toda a estrutura patrimonial da propriedade, como terras, benfeitorias, instalações, equipamentos e infraestrutura produtiva. Os ativos biológicos, incluindo o rebanho, não faziam parte da operação.
No entanto, as tratativas foram encerradas oficialmente após questionamentos regulatórios envolvendo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em documento protocolado junto ao órgão em 15 de junho, as empresas informaram:
"As Requerentes informam que, de forma livre, mútua e consensual, decidiram pelo encerramento definitivo das tratativas relativas à operação objeto do presente Ato de Concentração, desistindo da realização do negócio, conforme formalizado no Termo de Encerramento de Tratativas."
Segundo informações divulgadas pelo mercado, a desistência ocorreu após o Cade negar o pedido para que a operação fosse analisada pelo rito sumário, procedimento normalmente aplicado a operações consideradas de menor complexidade concorrencial. A decisão gerou preocupação quanto aos prazos e às possíveis restrições regulatórias, levando as partes a optarem pelo encerramento amigável da negociação.
Interesse por parte do Bom Futuro - Com a saída da JBJ da disputa, a Fazenda Conforto voltou ao radar de grandes grupos do agronegócio. Entre eles, a Bom Futuro aparece como uma das candidatas mais fortes para assumir a operação.
Controlada pelo empresário Eraí Maggi Scheffer, a companhia é considerada uma das maiores potências do agro brasileiro. O grupo administra cerca de 650 mil hectares destinados à produção de soja, milho e algodão, distribuídos em 35 unidades produtivas, além de possuir capacidade de armazenagem próxima de 1,5 milhão de toneladas.
Embora seja tradicionalmente reconhecida pela agricultura, a empresa já possui atuação relevante na pecuária, com aproximadamente 90 mil bovinos abatidos anualmente. A eventual aquisição da Fazenda Conforto representaria um avanço estratégico para ampliar sua presença na cadeia da carne bovina e fortalecer a integração entre agricultura e pecuária.
Ativo estratégico em um mercado cada vez mais consolidado
Especialistas do setor observam que a disputa pela Fazenda Conforto reflete um movimento mais amplo de consolidação do agronegócio brasileiro. Grandes grupos buscam ampliar escala produtiva, aumentar eficiência operacional e integrar diferentes segmentos da cadeia agropecuária.
Nesse cenário, ativos de grande porte e alta produtividade, como a Fazenda Conforto, tornam-se cada vez mais valorizados. A definição do futuro controlador da propriedade é acompanhada de perto pelo mercado, que vê na operação um dos negócios mais relevantes do agronegócio nacional em 2026.







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