Kaká de Barretos
O VILÃO AGRONEGÓCIO
Setor que responde por cerca de um quarto do PIB brasileiro enfrenta desafios logísticos, econômicos e de imagem, enquanto amplia o uso de tecnologia e busca aproximar o campo da população urbana
Responsável por cerca de um quarto do PIB nacional, o agronegócio é o verdadeiro motor da economia brasileira. Apesar de sua importância vital, o setor ainda enfrenta uma enorme falta de compreensão por parte da população urbana, muitas vezes ecoada por narrativas midiáticas superficiais, especialmente no cenário internacional e no debate sobre o desmatamento. O que muitas vezes se fantasia como crítica ambiental é, na realidade, o reflexo do incômodo global diante do nosso sucesso produtivo. Afinal, consolidamos nossa liderança na produção de soja, café, fumo, celulose, suco de laranja, carne bovina e de frango, alcançando a marca histórica de 322 milhões de toneladas de grãos na safra 24/25.
Com quase 90% dos brasileiros residindo em áreas urbanas, conectar o campo à cidade tornou-se um desafio urgente. Precisamos reverter a narrativa que injustamente posiciona o produtor rural como o vilão do desenvolvimento, um viés ideológico que lamentavelmente alcança até os materiais escolares.
Somado à disputa de imagem, o setor lida com complexos desafios macroeconômicos e logísticos. Se "da porteira para dentro" o produtor cumpriu seu papel com excelência, "da porteira para fora" o cenário é adverso. Enfrentamos os impactos de guerras, barreiras comerciais, juros elevados e a volatilidade nos preços do diesel e dos fertilizantes, além de gargalos históricos de infraestrutura, como rodovias precárias e capacidade de armazenamento insuficiente.
A imagem do produtor rural isolado ficou no passado. O campo hoje é sinônimo de inovação: ciência de dados, agricultura de precisão, bioinsumos, drones e frotas autônomas fazem parte da rotina de uma cadeia produtiva totalmente digitalizada, que rastreia a informação desde a semente até o porto de exportação.
É preciso lembrar que, embora a sociedade dependa de profissionais como médicos, engenheiros e advogados em momentos específicos, o produtor rural é indispensável ao menos três vezes ao dia. Reconhecer o valor do agronegócio não é apenas uma questão de justiça, mas de soberania e orgulho nacional.



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