Escassez de vacinas expõe preocupação no campo e reforça sensação de abandono do produtor rural
O advogado e produtor rural Gerson de Paiva afirma que o pecuarista brasileiro enfrenta crises sanitárias, falta de crédito e aumento dos custos de produção sem o suporte necessário
Escassez de vacinas expõe preocupação no campo e reforça sensação de abandono do produtor rural O debate sobre a falta de vacinas polivalentes para bovinos ganhou força entre produtores rurais de diversas regiões do país. Mais do que um problema pontual de abastecimento, a situação tem acendido um alerta sobre a vulnerabilidade sanitária da pecuária brasileira e a crescente sensação de que o produtor rural está sendo deixado sozinho para enfrentar desafios que impactam diretamente a produção.
Durante entrevista ao Vida Boiadeira, o advogado e produtor rural Gerson de Paiva destacou que o setor agropecuário vem acumulando dificuldades sem receber o suporte necessário.
“O produtor rural tá cansado de sofrer imposições e botar deveres. O produtor, você deve fazer isso, você deve fazer aquilo. Mas na hora de receber algum suporte, tanto do governo ou de qualquer outra situação, a gente fica no descrédito”, afirmou.
Segundo ele, o cenário atual reúne diversos fatores que aumentam a preocupação dos pecuaristas.
“Tratando especificamente agora da situação de um ano tão complicado quanto esse, onde tem escassez de crédito no mercado, juro alto, risco de desabastecimento de fosfato de cálcio. Agora nós estamos falando de risco de desabastecimento de vacina polivalente. O produtor rural tá patinando numa lama e ninguém consegue dar a mão pra gente poder sair dela.” relata Paiva.
Questionado sobre possíveis medidas jurídicas diante de prejuízos causados pela falta de vacinas, Gerson explicou que crises sanitárias costumam gerar impactos muito além das propriedades rurais.
“De vez em quando a gente tem essas crises sanitárias em alguns momentos da história. Só que essas crises sanitárias nunca ficam só dentro da porteira, elas passam da porteira.” aponta.
O produtor destacou ainda que os prejuízos podem atingir toda a cadeia produtiva. “Você tem prejuízo no rebanho, mas o rebanho desabastece a escala, vai pros frigoríficos, é uma escala que não tem fim e no final dá um efeito dominó.” enfatiza.
Na avaliação do advogado, dependendo das circunstâncias, a falta de abastecimento pode abrir espaço para discussões sobre responsabilização e indenizações. “Isso realmente pode gerar sim o risco de algumas ações indenizatórias para que responsabilize as pessoas que eram responsáveis por abastecer o produtor rural na questão da vacina.”
Durante a conversa, também foi levantada a preocupação com o aumento dos preços dos imunizantes e os impactos econômicos para o pecuarista. Sem atribuir causas específicas para a situação, Gerson reforçou que o principal foco deve ser a prevenção dos prejuízos. “Eu como advogado, como produtor rural, como quem tá sentindo na pele, cortando aqui da minha carne, eu vejo um risco muito real de um prejuízo inimaginável.”
O advogado chamou atenção para o momento vivido pela pecuária brasileira, justamente quando os preços do boi gordo apresentam valorização em diversas regiões do país. “Hoje a arroba historicamente tá no seu ponto máximo. E logo agora uma crise sanitária dessa, do produtor querer comprar uma vacina e não poder ter.”
Ao final da entrevista, Gerson resumiu um sentimento compartilhado por muitos produtores rurais.
“O produtor rural brasileiro virou especialista em sobreviver sem apoio.”
A discussão sobre a falta de vacinas amplia o debate para temas considerados essenciais para o futuro da atividade pecuária, como defesa sanitária, crédito rural, seguro rural, infraestrutura, segurança jurídica e políticas públicas voltadas ao setor.
Para lideranças do agro, a preocupação é clara: quando problemas sanitários deixam de ser enfrentados de forma preventiva, os reflexos atingem não apenas as fazendas, mas toda a cadeia produtiva e, consequentemente, o consumidor final.






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