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Goiânia,10/06/2026

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    Goiás participa de projeto que utiliza inteligência artificial para modernizar recuperações judiciais no campo

    Ferramenta baseada em monitoramento geoespacial e imagens de satélite promete acelerar decisões judiciais, aumentar a segurança jurídica e combater fraudes em processos de produtores rurais

    Foto gerada por IA
    Goiás participa de projeto que utiliza inteligência artificial para modernizar recuperações judiciais no campo Goiás participa de projeto que utiliza inteligência artificial para modernizar recuperações judiciais no campo

    Goiás está entre os sete estados brasileiros selecionados para integrar um projeto-piloto voltado à modernização das recuperações judiciais de produtores rurais por meio do uso de inteligência artificial e monitoramento geoespacial. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e busca tornar os processos mais ágeis, transparentes e seguros.

    O anúncio foi realizado pelo conselheiro do CNJ, Rodrigo Badaró, durante a 8ª Sessão Ordinária de 2026. A proposta prevê a utilização da plataforma VMG (Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos), desenvolvida pelo Ministério da Agricultura. A tecnologia reúne imagens de satélite, inteligência artificial e análises históricas para acompanhar a atividade produtiva das propriedades rurais.

    Por meio da ferramenta, magistrados terão acesso a informações detalhadas sobre áreas cultivadas, histórico de safras, condições de produção, impactos climáticos e garantias vinculadas aos processos de recuperação judicial. A expectativa é que os dados contribuam para decisões mais fundamentadas e reduzam a necessidade de perícias presenciais, diminuindo custos e acelerando a tramitação processual.

    Segundo o CNJ, a iniciativa está alinhada ao Provimento nº 216/2026 da Corregedoria Nacional de Justiça, que prevê a substituição de perícias convencionais em determinadas situações, ampliando a eficiência do Judiciário.

    Para o advogado Eliseu Silveira, especialista em recuperação judicial, a adoção da tecnologia exigirá maior rigor técnico na elaboração dos pedidos. “Com a verificação em tempo real, o Poder Judiciário poderá identificar mais facilmente indícios de fraudes ou situações que demonstrem a inviabilidade econômica da atividade rural, o que pode levar à decretação da falência”, afirma.

    De acordo com o especialista, a nova metodologia reforça a importância da participação de engenheiros agrônomos e equipes contábeis especializadas na elaboração dos processos. Os relatórios técnicos produzidos por esses profissionais serão fundamentais para comprovar a situação produtiva e financeira dos produtores rurais.

    Silveira destaca ainda que o monitoramento remoto permitirá aos juízes e administradores judiciais confrontar rapidamente as informações apresentadas nos autos com a realidade das propriedades rurais. “A medida fortalece a segurança jurídica, protege os credores e contribui para a credibilidade do instituto da recuperação judicial, garantindo que o mecanismo cumpra sua função de preservar atividades econômicas viáveis no campo”, ressalta.

    Além de Goiás, participam do projeto os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará e Minas Gerais. Juntas, essas unidades da federação concentram aproximadamente metade das recuperações judiciais de produtores rurais em andamento no país. A previsão é que, após a fase de testes e capacitação dos magistrados, a iniciativa seja ampliada para outras regiões brasileiras.




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