Boi gordo inicia julho sob pressão com queda nas cotações e incertezas sobre a demanda chinesa
Oferta elevada, consumo interno lento e ajustes dos frigoríficos mantêm o mercado pressionado
Mercado do boi gordo inicia julho pressionado, com frigoríficos cautelosos, consumo interno lento e impacto das exportações para a China O mercado físico do boi gordo começou julho em ritmo de baixa, refletindo o aumento da oferta de carne bovina, o consumo interno ainda enfraquecido e as incertezas provocadas pelo esgotamento antecipado da cota chinesa de importação de carne bovina brasileira para 2026, fixada em 1,106 milhão de toneladas.
Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a redução temporária das compras pela China deve levar os frigoríficos a diminuir o ritmo de produção, com menos animais abatidos, maior capacidade ociosa nas plantas e redução dos turnos de trabalho. “Cota está para ser preenchida entre os meses de junho e julho, o que deve fazer com que o Brasil passe a contar com uma ausência parcial e temporária do principal mercado para a carne bovina”, reflete.
Levantamento da Scot Consultoria mostra que, entre as 33 regiões acompanhadas, 15 registraram queda nas cotações do boi gordo e outras 15 permaneceram estáveis. Apenas Goiânia (GO), Pelotas (RS) e o oeste da Bahia apresentaram alta. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referência para o mercado nacional, a arroba do boi gordo caiu para R$ 335, enquanto o "boi China" recuou para R$ 340. Já vacas e novilhas mantiveram os preços.
O cenário também levou frigoríficos a adotarem medidas de ajuste, incluindo férias coletivas em unidades da JBS em Mato Grosso. No atacado, os preços permaneceram estáveis, embora problemas logísticos tenham limitado parte das negociações. A expectativa das consultorias é de melhora gradual na demanda durante a primeira quinzena de julho, impulsionada pelo pagamento de salários e benefícios, favorecendo a reposição dos estoques no varejo.
Apesar da pressão sobre o mercado doméstico, as exportações brasileiras seguem em ritmo forte. Nos primeiros dias úteis de junho, os embarques de carne bovina, renderam US$ 850,786 milhões, registrando crescimento tanto em volume quanto em faturamento na comparação com o mesmo período do ano passado, reforçando a força da demanda internacional pela proteína brasileira. O valor médio diário das exportações cresceu 44,0%, enquanto o volume médio diário embarcado aumentou 19,6%. O preço médio da tonelada obteve um aumento de 20,4%, representando um cenário positivo para as promoções externas da carne brasileira.








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