Satélites passam a integrar controle das exportações do agro
União Europeia exigirá rastreabilidade digital e comprovação georreferenciada da origem de produtos como soja e carne bovina para manter acesso ao mercado europeu
Imagens de satélite e sistemas de georreferenciamento serão fundamentais para comprovar a origem sustentável de produtos do agronegócio brasileiro destinados ao mercado europeu. O agronegócio brasileiro, que encerrou 2025 com exportações recordes de US$ 169,2 bilhões, deverá enfrentar uma nova etapa de adequação para manter sua presença em mercados estratégicos. A partir de 30 de dezembro deste ano, entra em vigor para grandes operadores o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que exigirá comprovação técnica de que produtos agrícolas comercializados no bloco não estão associados ao desmatamento.
As cadeias da soja e da carne bovina estão entre as mais impactadas pela nova legislação, que tornará obrigatória a rastreabilidade digital e a comprovação georreferenciada da origem da produção.
Segundo Diogo Bochnia Zuliani, professor do curso de Agronegócio da EAD UniCesumar, o modelo atual, baseado em documentos como Cadastro Ambiental Rural (CAR), notas fiscais e auditorias presenciais, dará lugar a um sistema mais robusto, sustentado por dados digitais e monitoramento remoto.
De acordo com o especialista, exportadores precisarão apresentar evidências técnicas da origem dos produtos, utilizando coordenadas geográficas das propriedades, imagens de satélite e bancos de dados ambientais. A produção também deverá manter uma trilha documental contínua desde a fazenda até a exportação.
Na prática, as áreas produtivas serão confrontadas com mapas de cobertura florestal para comprovar que não houve desmatamento após o marco estabelecido pela legislação europeia.
Apesar das novas exigências, especialistas avaliam que o Brasil possui capacidade técnica para atender às regras. Tecnologias como inteligência artificial, geoprocessamento e monitoramento por satélite já são utilizadas para ampliar a precisão da identificação das áreas agrícolas e fortalecer os sistemas de rastreabilidade.
Para Zuliani, além de atender às exigências internacionais, a tecnologia contribui para diferenciar produtores que atuam dentro da legalidade, aumentando a transparência e a confiança na cadeia produtiva.
Na avaliação do especialista, a integração entre dados públicos, monitoramento ambiental e plataformas digitais pode transformar a sustentabilidade em um diferencial competitivo para o agronegócio brasileiro, fortalecendo a imagem do país no comércio internacional e ampliando a competitividade das exportações.








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