Agro ganha destaque na transição energética
Especialistas defendem biocombustíveis, biogás e agricultura de baixo carbono como pilares para ampliar a segurança energética e climática do país
Agro ganha destaque na transição energética O agronegócio brasileiro foi apontado como protagonista da transição energética durante o painel "Agro Verde", realizado no 6º Fórum de Energias Renováveis, em Porto Alegre (RS). Representantes de entidades do setor defenderam a integração entre produção agropecuária e energias renováveis como caminho para aumentar a competitividade, reduzir custos e fortalecer a segurança energética nacional.
A coordenadora da Comissão de Meio Ambiente da Farsul, Paula Hofmeister, destacou que o Brasil reúne características únicas para liderar esse processo, especialmente por meio da agricultura tropical, da produção de biocombustíveis e das práticas de baixo carbono.
“O agronegócio é o motor definitivo da transição energética global e principalmente do Brasil, que já é considerado modelo com o maior índice de energia renovável”, afirmou.
Segundo ela, a produção agropecuária brasileira desempenha papel estratégico não apenas na segurança alimentar, mas também no enfrentamento das mudanças climáticas.
“As lavouras brasileiras são um eixo estratégico, tanto na segurança alimentar como na segurança climática. A gente tem nossa base de agricultura através do Plano ABC, que já foi levado para fóruns internacionais como modelo de agricultura sustentável”, ressaltou.
Representando a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Anderson Belloli destacou os avanços em produtividade conquistados pelo campo nas últimas décadas.
“Dobramos a área de produção agrícola nos últimos 30 anos e passamos de 60 milhões para 300 milhões de toneladas de grãos”, observou.
Ao citar a evolução da rizicultura gaúcha, Belloli afirmou que o setor conseguiu aumentar significativamente a eficiência produtiva.
“No Pampa gaúcho temos uma produção de arroz que produz o dobro de 20 anos atrás, com metade do diesel e metade da água utilizada naquele período”, destacou.
Para ele, o país vive um momento favorável para ampliar o reconhecimento internacional da sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
“Talvez nunca tivemos um ambiente tão favorável para desenvolvimento e reconhecimento desse setor que é fundamental e que pode colaborar, inclusive, para o desenvolvimento de outros, como o caso das energias limpas”, afirmou.
Já o presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Jerônimo Goergen, reforçou a importância dos biocombustíveis para a economia nacional.
“O papel do biocombustível não é mais questão ambiental. Ele é hoje fundamental para a segurança alimentar e a segurança energética do Brasil”, declarou.
Apesar do potencial brasileiro, Goergen avaliou que o país perdeu oportunidades por falta de planejamento estratégico.
“O Brasil é um país reagente, não é um país que propõe. Ele vê que tem que correr atrás e, agora, vamos correr atrás”, criticou.
Segundo ele, uma política mais estruturada poderia colocar o país em posição ainda mais relevante no cenário global da energia renovável.
“Perdemos tempo, perdemos espaço, mas nenhum país, a não ser o Brasil, tem ao natural essa capacidade de chegar bem. Se nós fizéssemos um pouco de planejamento, não tenho dúvida que seríamos imbatíveis”, concluiu.
O debate integrou a programação do 6º Fórum de Energias Renováveis, promovido pelo Correio do Povo em parceria com o Sindienergia-RS, reunindo especialistas para discutir soluções capazes de fortalecer cadeias produtivas mais sustentáveis e competitivas para o futuro.






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